2075 - Monica Magalhães

2075 - Monica Magalhães
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Terminei a leitura do livro 2075, da Monica Magalhães. É um assunto que facilmente poderia virar um monte de previsões e termos técnicos, mas a leitura é bem tranquila. Ela consegue falar de um tema enorme sem deixar a gente perdido no meio do caminho.

O nome pode dar a impressão de que o livro vai contar como será o mundo daqui a 50 anos mas não é bem isso. Em muitos momentos me vi pensando menos em 2075 e mais no que a gente faz hoje, no que já fez antes e no quanto é difícil sair de certas ideias que parecem normais só porque sempre foram assim.

Canvas do livro 2075, de Monica Magalhães

Ela trás uma visão sobre empresas muito interessante, em que mostra que muitas são boas em manter funcionando aquilo que deu certo até agora. Faz sentido claro. O problema é quando essa mesma estrutura dificulta qualquer mudança. Aquilo que trouxe sucesso no passado pode acabar virando um peso, e nem sempre da pra perceber isso enquanto tudo ainda está indo bem.

Também gostei da discussão sobre desigualdade. É fácil falar que precisamos nos preparar para o futuro quando temos tempo e dinheiro pra isso. Mas e quem está preocupado em pagar as contas no fim do mês? E os países que ainda precisam resolver problemas básicos? Fiquei pensando nisso durante a leitura. O futuro chega pra todo mundo, mas as condições pra participar dele são muito diferentes.

O livro passa pelas novas gerações, que muitas vezes são as primeiras a questionar o que os mais velhos já aceitaram como normal. E também mostra como algumas nações conseguem pensar décadas a frente, enquanto outras vivem apagando incêndio. A parte sobre o custo temporal da democracia me chamou atenção por isso. Um governo precisa mostrar resultado em poucos anos, mas muita coisa importante só aparece depois de décadas de investimento. Como convencer as pessoas a esperar? E como garantir que o próximo governo vai continuar o trabalho?

Aprendi também uma distinção que eu não tinha muito clara, futuristas e profissionais de foresight não fazem exatamente a mesma coisa. Imaginar o que pode acontecer é uma coisa. Usar esses futuros possíveis para tomar decisões melhores agora é outra. E uma tecnologia ser possível não quer dizer que a sociedade vai querer, conseguir ou aceitar usar.

Tem ainda os nossos próprios vieses. As vezes quem entende muito de um assunto é justamente quem tem mais dificuldade de imaginar algo fora dele. A gente se apega ao que conhece, tem medo de errar e quando percebe já descartou uma possibilidade antes mesmo de pensar nela direito.

Na parte final a Monica mostra como poderia ser a vida de algumas pessoas em 2075. Gostei bastante dessas histórias porque elas dão forma às discussões anteriores. Tem tecnologia ajudando em quase tudo, uma vida mais cômoda, mas também muita pergunta sobre privacidade, vigilância e controle. Quanto da nossa liberdade a gente entregaria por mais conveniência? O curioso é que algumas dessas situações nem parecem tão distantes assim. Essa semana em uma discussão com amigos falamos do quanto entregamos nossa via pra IA, conexões MCP do claude com banco pra trazer insights financeiros.

Terminei o livro sem saber como vai ser o futuro obviamente, mas ele trás insights e nos ajuda a pensar que as escolhas que fazemos agora irá moldar o nosso futuro. Recomendo pra quem gosta de tecnologia e inovação, mas principalmente pra quem gosta de questionar por que a gente continua fazendo as coisas do jeito que faz.